sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Alguns poucos

Desaparecer.
Desaparecer é tudo o que voa, escoa e some. Tudo que cai e não levanta. Que sobe e nunca mais desce. Desaparecer é o que todos fazem.
Diferentemente de tudo o que é descartável, os que dasaparecem se vão sem despedidas, e o que sobra são suas imagens há muito queridas e amadas. Quem desaparece, de certa forma, fica nos machucando dia após dia. Nunca vamos sentir um amor tão dolorido quanto o amor ao desaparecido.
Demore o tempo que for: todos desaparecem.
Desaparecer é uma tarefa para poucos, só os mais queridos desaparecem. Querer bem é complicado e tão raro que chega a ser desconhecido. Desconhecidos. Desconhecidos são admiráveis porque não os conhecemos. Mas estes também desaparecem.
Aquele "Carpe Diem" nunca funcionou comigo. Sempre sentia um frio na barriga quando pensava nos meus queridos futuros desaparecidos. De imadiato eu me lembrava daquela dor no peito, já antiga, que me tomou por inteira em 2005.
Mais difícil que desaparecer, é esquecer. É bom treinar ao longo da vida. É bom acostumar seu coração aos ocasionais desaparecimentos que virão. Vir e ir. Nunca gostei de dizer "tchau". Acho uma verdadeira interrupção de afeto. Meu carinho por alguns é tão grande que chego a transbordar em alegria quando os encontro no mesmo chão que eu piso.
Desaparecer.
Que verbo destruidor de sorrisos é esse?.

"Para o Mauro... que desapareceu."
T.F

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